domingo, 30 de maio de 2010

O egoísmo

Tal é o egoísmo a maior das maiores chagas do espírito humano terreno, fundadora das demais e causadora de diversos sofrimentos ao homem individual e social. Desta forma, muito se fala no Espiritismo que deve ser expurgado afim da elevação espiritual humana. Todavia, o que é o egoísmo e por que ele nos faz mal?

Huberto Rohden nos diz que ego significa persona em latim, que por sua vez quer dizer máscara (per + sonare = falar através), útil ao indivíduo que necessita se expressar. Assim sendo, o espírito (indivíduo) apresenta uma máscara na qual vive determinada realidade, que para Rohden é mental-físico-emocional; a realidade periférica do ego. Uma vez que o espírito fora criado por Deus simples e ignorante, potencialmente e essencialmente divino (o Eu divino central), aprendeu ao longo da sua evolução a ser egoísta, a se personalizar e a viver a realidade mental-física-emocional, essencialmente material.

Se observarmos a realidade terrena, perceberemos que os demais seres vivos vivem incessantemente a vida egoísta, pautada em seu instinto materialista. E nós, como espíritos, possivelmente adquirimos tal persona principalmente na vida animal, quando nela estagiamos há algum tempo. Porém, quando adentramos ao mundo hominal, do ser humano racional e livre, percebemos que aquilo que nos manteve até então não nos faz bem por dificultar nossa relação com o outro, com a sociedade e com Deus (o ego é essencialmente individualista e narcisista). É quando a consciência espiritual desperta e deseja a ascensão divina, incompatível com desejos particulares, individualistas, materialistas. Como a persona não se comunica com o Eu-divino (mas ele sim se comunica com ela), acredita ser única e sozinha, por isso tenta se defender de tudo e de todos.

Conforme ensino dos espíritos, nós seres humanos, então conscientes, devemos nos libertar do jugo material que nos mantém na realidade física do ego. E o melhor caminho para esta reformulação é a Caridade (o devotamento sincero e amoroso para com o próximo). É interessante o poder que o próximo tem para a atrofia de nosso egoísmo, uma vez que ao servirmos ao próximo nos esquecemos de nós mesmos, o que representa o total abandono de um desejo de nosso próprio bem-estar. Servir ao próximo é, assim, a chave da consciência espiritual para desarticular a estrutura da persona, numa auto-redenção de desvinculação material e ascensão espiritual.

Essa auto-redenção, ou ascese espiritual, seria, portanto, transformar a nossa parte mental em uma razão espiritual; nossa ânsia pelo bem-estar físico pela harmonia espiritual em um corpo físico; e nossa parte emocional em profundo amor e respeito pela Vida, porque assim cultivaremos valores espirituais em detrimento da manutenção de impulsos do ego. Pode-se afirmar, assim, que com o ego superior ao Eu-divino, o Reino de Deus não nos estará acessível, uma vez que o primitivismo no ser humano não conseguirá acessá-lo. Somente pelo Eu-divino temos acesso a Deus, visto que é o próprio Pai dentro de nós.

Por fim, pode-se entender a essência da fala de Jesus: “Já não sou eu quem faz as obras, mas o Pai que vive em mim”, ou seja, o ego já não comanda as suas ações, já que o Pai, a essência divina existente em cada indivíduo, está se manifestando intensamente, utilizando o ego como utensílio, mas impulsionada pelo Amor divino.

Fonte:
- "O Livro dos Espíritos" (916 e 917)
- "O Evangelho Segundo o Espiritismo" ( Cap. XI)
- "Educação do Homem integral" ( H. Rohden)
- "Novos Rumos para a Educação" (H. Rohden)

Oehlmeyer, G.

terça-feira, 11 de maio de 2010

NA CRUZ


"Ele salvou a muitos e a si mesmo não pôde salvar-se." - (MATEUS, 27:42.)
 
Sim, ele redimira a muitos...
Estendera o amor e a verdade, a paz e a luz, levantara enfermos e ressuscitara mortos.
Entretanto, para ele mesmo erguia-se a cruz entre ladrões.
Em verdade, para quem se exaltara tanto, para quem atingira o pináculo, sugerindo indiretamente a própria condição de Redentor e Rei, a queda era enorme...
Era o Príncipe da Paz e achava-se vencido pela guerra dos interesses inferiores.
Era o Salvador e não se salvava.
Era o Justo e padecia a suprema injustiça.
Jazia o Senhor flagelado e vencido.
Para o consenso humano era a extrema perda.
Caíra, todavia, na cruz.
Sangrando, mas de pé.
Supliciado, mas de braços abertos.
Relegado ao sofrimento, mas suspenso da Terra.
Rodeado de ódio e sarcasmo, mas de coração içado ao Amor.
Tombara, vilipendiado e esquecido, mas, no outro dia, transformava a própria dor em glória divina. Pendera-lhe a fronte, em pastada de sangue, no madeiro, e ressurgia, à luz do sol, ao hálito de um jardim.
Convertia-se a derrota escura em vitória resplandecente. Cobria-se o lenho afrontoso de claridades celestiais para a Terra inteira.
Assim também ocorre no círculo de nossas vidas.
Não tropeces no fácil triunfo ou na auréola barata dos crucificadores.
Toda vez que as circunstâncias te compelirem a modificar o roteiro da própria vida, prefere o sacrifício de ti mesmo, transformando a tua dor em auxílio para muitos, porque todos aqueles que recebem a cruz, em favor dos semelhantes, descobrem o trilho da eterna ressurreição.

Emmanuel, Fonte Viva. Psicografado por Francisco Cândido Xavier