Um pensamento que muito me intriga foi e ainda é fonte de muitas reflexões por diferentes profissionais e pensadores ao longo dos tempos: qual o nível de influência que o ambiente causa no modo como o homem age?
A princípio, muitos dirão, de acordo com distintas linhas filosóficas e sociais, que o ambiente molda, definitivamente, o caráter das pessoas que o compõe. Essa força ambiental estrutura, nesta linha, o modo como a pessoa se relaciona consigo mesma e com os outros, o modelo mental do qual se utiliza, além de gostos e cultura.
Quando analisamos apenas uma vida, faz muito sentido pensarmos desta forma em razão do esquecimento que temos de vivências passadas, uma vez que abrimos nossa mente e espírito para novas experiências, aqui existentes na Terra,o que de fato auxilia no aprendizado do encarnado. De modo mais amplo, por outro lado, sabendo que o espírito nasce simples e ignorante, como é que ele iria aprender a vivenciar suas potencialidades se o ambiente não o “construísse”? Pode-se deduzir, então, que, ao longo de inúmeras vidas, até certo ponto embrionárias, o homem seria um fruto do ambiente que o molda, nas diferentes atividades que realizou.
Mas penso que a partir de certo instante da vida evolutiva do espírito, de um momento que é aceso algo interno, o que desconheço, o espírito deixa de ser um produto do ambiente ao qual está inserido, e passa a agir de modo ativo, sendo o ambiente mero cenário de sua postura, como se direcionasse apenas o modo da postura, e não a própria postura. De outro modo, o espírito possuiria uma estrutura íntima suficientemente sólida para realizar qualquer coisa, dentro de qualquer ambiente. Com este pensamento, o homem, novamente a partir de certo nível, exerceria ao máximo o seu livre arbítrio, manifestando aquilo que realmente pensa e sente, independente de questões externas.
Em suma, parece-me que o homem necessita, a priori, do ambiente, uma vez que a potencialidade inicial de seu processo evolutivo somente se manifesta por estímulos externos. Todavia, quando armazena certa bagagem espiritual, o ambiente deixa de ser fator limitante, e o homem age por estímulos internos, conectados a sua essência.
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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
sábado, 22 de janeiro de 2011
Unicidade e diversidade
Uma questão que há certo tempo me faz pensar e refletir é especificamente esta: Se o ser humano apresenta tanta variação entre si, seja em vertentes externas, como cultura, aspectos físicos, linguagem, entre outras, seja em âmbitos internos, tais como mente, emoções e desejos, por que há, dentro do ensinamento cristão, ou melhor, de Jesus Cristo, linhas únicas e diretas que indicam a um caminho único ao ser que deseja ser feliz?
Aparentemente, essa questão é fácil de ser respondida, tendo em vista a origem comum de todo ser humano. Neste sentido, cada indivíduo, independentemente de suas características internas e externas, proveio da Natureza divina, e portanto, em essência é igual a todas as demais criaturas, e por isso a mensagem serve a todos. Todavia, ao aprofundarmos o raciocínio, perceberemos que há aqui um ponto chave a todos nós e que pode gerar dúvidas e distúrbios interpretativos.
Cada indivíduo apresenta um microcosmo único, seu, e por isso, tem impulsos e melhorias a realizar diferentes, ou melhor, únicas, uma vez que um microcosmo jamais é igual a outro, pois que de outro modo, Deus seria repetitivo em sua criação. Imaginemos, assim, bilhões de microcosmos distintos, pulsando em diferentes frequências e exigindo processos mil. Será que uma única mensagem pode abranger o momento de cada um desses seres, exatamente naquilo que lhes está impedindo o desenvolvimento?
A resposta é positiva. Mas a sua consequência nos leva a crer que cada microcosmo irá se desenvolver em seu próprio caminho, percorrendo a sua própria estrutura de ser, obedecendo, porém, a um mesmo princípio, a uma mesma mensagem. Ou seja, cada criatura divina jamais sofrerá dissolução de sua estrutura íntima por ser guiada pela mesma linha que todas as outras criaturas também serão. Assim, a mensagem do Cristo, em hipótese alguma, torna-nos indiferenciados; pelo contrário, ela fundamenta, molda e dá suporte ao desenvolvimento de nossas próprias características, existentes unicamente em nosso complexo foro individualizado. Caso assim não o fosse, o nosso futuro seria idêntico ao de todas as demais criaturas de caminho evolutivo, com o mesmo “cume” espiritual, o que logicamente contradiz a Grandeza Divina.
Por fim, em resumo, cada ser humano cresce de acordo com si mesmo e se tornará, em seus sucessivos períodos futuros, um ser cada vez mais individualizado, ou seja, mais único. Porém, para que isso ocorra, é essencial a assimilação de princípios gerais, válidos a todos, pois que são o fundamento de toda e qualquer obra individual e coletiva (assumindo-se que a obra coletiva é realizada por indivíduos dispostos a unir ideais).
Aparentemente, essa questão é fácil de ser respondida, tendo em vista a origem comum de todo ser humano. Neste sentido, cada indivíduo, independentemente de suas características internas e externas, proveio da Natureza divina, e portanto, em essência é igual a todas as demais criaturas, e por isso a mensagem serve a todos. Todavia, ao aprofundarmos o raciocínio, perceberemos que há aqui um ponto chave a todos nós e que pode gerar dúvidas e distúrbios interpretativos.
Cada indivíduo apresenta um microcosmo único, seu, e por isso, tem impulsos e melhorias a realizar diferentes, ou melhor, únicas, uma vez que um microcosmo jamais é igual a outro, pois que de outro modo, Deus seria repetitivo em sua criação. Imaginemos, assim, bilhões de microcosmos distintos, pulsando em diferentes frequências e exigindo processos mil. Será que uma única mensagem pode abranger o momento de cada um desses seres, exatamente naquilo que lhes está impedindo o desenvolvimento?
A resposta é positiva. Mas a sua consequência nos leva a crer que cada microcosmo irá se desenvolver em seu próprio caminho, percorrendo a sua própria estrutura de ser, obedecendo, porém, a um mesmo princípio, a uma mesma mensagem. Ou seja, cada criatura divina jamais sofrerá dissolução de sua estrutura íntima por ser guiada pela mesma linha que todas as outras criaturas também serão. Assim, a mensagem do Cristo, em hipótese alguma, torna-nos indiferenciados; pelo contrário, ela fundamenta, molda e dá suporte ao desenvolvimento de nossas próprias características, existentes unicamente em nosso complexo foro individualizado. Caso assim não o fosse, o nosso futuro seria idêntico ao de todas as demais criaturas de caminho evolutivo, com o mesmo “cume” espiritual, o que logicamente contradiz a Grandeza Divina.
Por fim, em resumo, cada ser humano cresce de acordo com si mesmo e se tornará, em seus sucessivos períodos futuros, um ser cada vez mais individualizado, ou seja, mais único. Porém, para que isso ocorra, é essencial a assimilação de princípios gerais, válidos a todos, pois que são o fundamento de toda e qualquer obra individual e coletiva (assumindo-se que a obra coletiva é realizada por indivíduos dispostos a unir ideais).
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Raízes do riso
Para que a nossa alegria não seja devaneio, mas sim felicidade!
”Para Pirandello, o cômico nasce de uma “percepção do contrário”, como no famoso exemplo de uma velha já decrépita que se cobre de maquiagem, veste-se como uma moça e pinta os cabelos. Ao se perceber que aquela senhora é o oposto do que uma respeitável velha senhora deveria ser, produz-se o riso, que nasce da ruptura das expectativas, mas, sobretudo, do sentimento de superioridade. A “percepção do contrário” pode, porém, transformar-se num “sentimento do contrário”- quando aquele que ri procura entender as razões pelas quais a velha se mascara, na ilusão de reconquistar a juventude perdida. Nesse passo, a velha da anedota não mais está distante do sujeito que percebe, porque este pensa que também poderia estar no lugar da velha - e o seu riso se mistura coma compreensão piedosa e se transforma num sorriso. Para passar da atitude cômica para a atitude humorística, é preciso renunciar ao distanciamento e ao sentimento de superioridade.”
Adaptado de Elias Thomé Saliba, Raízes do riso
”Para Pirandello, o cômico nasce de uma “percepção do contrário”, como no famoso exemplo de uma velha já decrépita que se cobre de maquiagem, veste-se como uma moça e pinta os cabelos. Ao se perceber que aquela senhora é o oposto do que uma respeitável velha senhora deveria ser, produz-se o riso, que nasce da ruptura das expectativas, mas, sobretudo, do sentimento de superioridade. A “percepção do contrário” pode, porém, transformar-se num “sentimento do contrário”- quando aquele que ri procura entender as razões pelas quais a velha se mascara, na ilusão de reconquistar a juventude perdida. Nesse passo, a velha da anedota não mais está distante do sujeito que percebe, porque este pensa que também poderia estar no lugar da velha - e o seu riso se mistura coma compreensão piedosa e se transforma num sorriso. Para passar da atitude cômica para a atitude humorística, é preciso renunciar ao distanciamento e ao sentimento de superioridade.”
Adaptado de Elias Thomé Saliba, Raízes do riso
Homeopatia e Espiritismo
Um fato que, já há algum tempo, chamou a minha atenção relaciona os princípios ativos e filosóficos da Homeopatia com os ensinamentos conquistados pela Doutrina Espírita, no que tange a cura, momentânea ou durável, do paciente. Explanarei sobre ambas, a seguir, de modo bem superficial, e posteriormente evidenciarei minha incógnita.
De modo geral, a Homeopatia vê a doença como uma alteração da energia vital do indivíduo, ou seja, um fator, ou a somatória de fatores, provoca, de acordo com a resposta do paciente, um desequilíbrio dessa energia, o qual inicia o processo de doença. Além disso, indica que há três diferentes “personalidades humanas”, existente cada uma desde o momento da união de gametas: psora, psicose e syfilis, sendo que cada uma tem uma característica peculiar de posicionamento perante a vida. Por exemplo: uma pessoa é geralmente psora, mas pode, em determinadas ocasiões, manifestar seu lado psicose. Desta forma, o remédio homeopático altera a energia do paciente, permitindo o seu fluxo normal e saudável, potencializando ou alterando as “personalidades humanas”, de acordo com o que é necessário para o indivíduo em determinado período ou momento da vida.
Por outro lado, o Espiritismo nos clareia sobre a existência do espírito encarnado, que possui um pensamento seu, uma experiência própria e que vive em um corpo com a finalidade de se adaptar no mundo material. Em adição, por se acoplar em um corpo material, esse espírito não se manifesta por completo, ou seja, toda a sua capacidade é limitada a certas particularidades tidas como essenciais para a vida material presente, por meio de estruturas corporais suas. (Comandadas por seu código genético). Vale ressaltar, ainda, sobre o perispírito, que é um “molde” semi-material, ou material menos denso que o corpo, do espírito, e por isso reflete todas as qualidades do mesmo (boas ou más), não manifestas em sua totalidade na vida analisada. O perispírito, por fim, é essencial para a vida do espírito no corpo material.
Chegamos, agora, na incompreensão minha. Se o remédio homeopático consegue alterar a personalidade do homem, será que 1) ele altera a estrutura perispiritual do indivíduo, permitindo que sejam manifestadas potencialidades do próprio espírito até aquele momento impedidas de serem manifestadas?; 2) atua no código genético (ver epigenética), possibilitando minuciosas alterações do soma as quais permitiriam as manifestações existentes no perispírito?; 3) altera a estrutura psicológica do indivíduo? (com a necessidade, aqui, de se avaliar qual é a natureza da psique humana (material, mistura entre matéria e perispírito, existente somente com a encarnação, ou propriedade intrínseca do espírito)); 4) age somente nos órgãos físicos, permitindo sua reabilitação?
De qualquer maneira, é fato que a Homeopatia possui aproximação visível com a Doutrina espírita, seja nesta questão abordada, seja em outras muitas não analisadas ou desconhecidas por mim. Porém, a questão aqui colocada é de suma importância, uma vez que anseia desvendar os mecanismos de ação dos medicamentos homeopáticos, ainda desconhecidos.
De modo geral, a Homeopatia vê a doença como uma alteração da energia vital do indivíduo, ou seja, um fator, ou a somatória de fatores, provoca, de acordo com a resposta do paciente, um desequilíbrio dessa energia, o qual inicia o processo de doença. Além disso, indica que há três diferentes “personalidades humanas”, existente cada uma desde o momento da união de gametas: psora, psicose e syfilis, sendo que cada uma tem uma característica peculiar de posicionamento perante a vida. Por exemplo: uma pessoa é geralmente psora, mas pode, em determinadas ocasiões, manifestar seu lado psicose. Desta forma, o remédio homeopático altera a energia do paciente, permitindo o seu fluxo normal e saudável, potencializando ou alterando as “personalidades humanas”, de acordo com o que é necessário para o indivíduo em determinado período ou momento da vida.
Por outro lado, o Espiritismo nos clareia sobre a existência do espírito encarnado, que possui um pensamento seu, uma experiência própria e que vive em um corpo com a finalidade de se adaptar no mundo material. Em adição, por se acoplar em um corpo material, esse espírito não se manifesta por completo, ou seja, toda a sua capacidade é limitada a certas particularidades tidas como essenciais para a vida material presente, por meio de estruturas corporais suas. (Comandadas por seu código genético). Vale ressaltar, ainda, sobre o perispírito, que é um “molde” semi-material, ou material menos denso que o corpo, do espírito, e por isso reflete todas as qualidades do mesmo (boas ou más), não manifestas em sua totalidade na vida analisada. O perispírito, por fim, é essencial para a vida do espírito no corpo material.
Chegamos, agora, na incompreensão minha. Se o remédio homeopático consegue alterar a personalidade do homem, será que 1) ele altera a estrutura perispiritual do indivíduo, permitindo que sejam manifestadas potencialidades do próprio espírito até aquele momento impedidas de serem manifestadas?; 2) atua no código genético (ver epigenética), possibilitando minuciosas alterações do soma as quais permitiriam as manifestações existentes no perispírito?; 3) altera a estrutura psicológica do indivíduo? (com a necessidade, aqui, de se avaliar qual é a natureza da psique humana (material, mistura entre matéria e perispírito, existente somente com a encarnação, ou propriedade intrínseca do espírito)); 4) age somente nos órgãos físicos, permitindo sua reabilitação?
De qualquer maneira, é fato que a Homeopatia possui aproximação visível com a Doutrina espírita, seja nesta questão abordada, seja em outras muitas não analisadas ou desconhecidas por mim. Porém, a questão aqui colocada é de suma importância, uma vez que anseia desvendar os mecanismos de ação dos medicamentos homeopáticos, ainda desconhecidos.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Educação do ser humano (I)
Já abordamos anteriormente a questão entre Instrução e Educação, de Rohden, explanando que a primeira se atenta às questões profissionais e a segunda na formação de valores humanos. Lembramos, então, de Einstein: "Do mundo dos fatos não conduz nenhum caminho para o mundo dos valores". Assim, para Einstein, pela instrução de Rohden não há formação de valor humano.
Pois bem, estava eu um dia em um congresso sobre Educação Médica e lá estavam, em uma determinada manhã, coordenadores do curso de medicina das principais universidades paulistas (UNICAMP, USP, UNESP e UNIFESP). O interesse era de explanar o currículo da graduação médica e evidenciar pontos positivos da "educação" desses centros universitários. Foi consenso, neste debate, que o processo "educacional" ocorre a partir da pesquisa universitária, ou seja, o ato de se pesquisar cientificamente permite ao aluno não apenas se formar melhor na teoria e na prática, mas também humanamente (com valores). Em uma apresentação, por fim, estava escrito; "A pesquisa como educação".
Aí, então, iniciaram-se as reflexões: como posso aprender a ser um ser humano em qualquer profissão com a pesquisa? posso ser educado pelo mundo dos fatos? ao saber o funcionamento dessa ou daquela droga, ao medir o metabolismo de ratos, desvendar leis matemáticas´, aprender o método científico, ou então na concentração de estudos históricos de povos antigos ou apreender a formação de uma sociedade, eu poderei ser um ser humano melhor?
Ganharei, assim, valores?
Pois bem, estava eu um dia em um congresso sobre Educação Médica e lá estavam, em uma determinada manhã, coordenadores do curso de medicina das principais universidades paulistas (UNICAMP, USP, UNESP e UNIFESP). O interesse era de explanar o currículo da graduação médica e evidenciar pontos positivos da "educação" desses centros universitários. Foi consenso, neste debate, que o processo "educacional" ocorre a partir da pesquisa universitária, ou seja, o ato de se pesquisar cientificamente permite ao aluno não apenas se formar melhor na teoria e na prática, mas também humanamente (com valores). Em uma apresentação, por fim, estava escrito; "A pesquisa como educação".
Aí, então, iniciaram-se as reflexões: como posso aprender a ser um ser humano em qualquer profissão com a pesquisa? posso ser educado pelo mundo dos fatos? ao saber o funcionamento dessa ou daquela droga, ao medir o metabolismo de ratos, desvendar leis matemáticas´, aprender o método científico, ou então na concentração de estudos históricos de povos antigos ou apreender a formação de uma sociedade, eu poderei ser um ser humano melhor?
Ganharei, assim, valores?
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